Centenário Luis Portela (1910 - 2010)


Luis Portela de Carvalho completa, em 2010, o centenário de seu nascimento. Certamente, o ex-prefeito é a mais importante personalidade palmarense do século XX. Nascido em 27 de fevereiro de 1910, no Engenho Capricho, filho do casal João de Carvalho e Paulina Portela, estudou em Garanhuns, em colégio interno e, depois, no Ateneu Palmarense, onde completou estudos equivalentes ao antigo segundo grau, dedicando-se, em seguida, quando ainda bastante jovem, ao arrendamento de engenhos e ao comércio de madeira, atividades que rendeu o sustento de sua família. Casou-se, em 1935, com Diva Acioli, passando a residir em Maraial, na Fazenda São Luis.

Foi naquele município desmembrado de Palmares, em 1928, que Portela iniciou a trajetória política. Eleito vereador, há registros de que não concluiu o mandato, desligando-se daquela Câmara Municipal, para continuar as atividades no comércio. Anos depois, Portela volta a residir em Palmares, dedicando-se também à Direção do antigo Ateneu Palmarense, posição que favoreceu a participação na vida social e cultural da cidade, seguida da filiação ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), naquele período de redemocratização pós-ditadura getulista (1945/48). Filiação que culminou, adiante, em 1951, com a candidatura a prefeito, contra a chapa do PSD (Partido Social Democrata) do governador Agamenon Magalhães, encabeçada pelo proprietário rural José Américo de Miranda.

A vitória nas urnas, em 1951, deu a Portela uma primeira missão: reconciliar a elite local e atender às expectativas populares. Consegue o apoio da Câmara Municipal, superando grandes dificuldades, até programar o ritmo administrativo de reordenação do traçado urbano da cidade, ampliado pela desapropriação de áreas rurais, ao passo que modernizava, nos padrões desenvolvimentistas da época, o serviço público local. Meses antes de concluir esse primeiro mandato municipal, Portela se candidata, em 1955, a Deputado Estadual. Eleito, Portela começou uma legislatura marcada pelas ideias da corrente municipalista, denunciando a centralização administrativa empreendida pelo Estado, a correspondente falta de autonomia para gerenciar as atividades municipais e os defasados mecanismos de repasse de impostos. 

Esse mandato legislativo culminou, em 1959, na participação em Comissão Federal ao Congresso dos Municípios e, no retorno a Palmares, agora filiado ao PSD, para concorrer novamente ao cargo de prefeito. Portela, na segunda eleição municipal, derrota seu antigo correligionário, Manoel Paulino dos Santos, este filiado ao PTB. A troca de partido possibilitou a reeleição e o retorno à ideia de modernizar o traçado urbano iniciado no primeiro mandato. Portela desapropriou terras da Usina Treze de Maio para ampliação dos bairros Modelo, Santo Onofre e Santa Luzia. Em seguida, construiu a nova sede da Prefeitura, o Palácio do Bambu, motivo de controvérsias entre as posições tradicionalistas e modernizantes, comuns no Brasil dos anos sessenta.

Credenciado pelo segundo mandato, em 1963, Portela tentou chegar ao Congresso Nacional, candidatando-se a Deputado Federal. Ficou na primeira suplência, porém, com o Golpe de 1964, foi cassado pelo Governo Militar devido à ligação com o grupo político de Arraes, uma viagem feita a Cuba, em 1961, às ideias municipalistas e, no plano local, à oposição ao grupo “revolucionário” encabeçado por Pedro Afonso, Prof. Eliseu e Manoel Paulino dos Santos.Caçado nos direitos políticos, Portela passou o ostracismo das lideranças regionais que, se não foram postas na clandestinidade ou no exílio, terminaram abafadas pelo Regime Militar, colocadas em constante vigilância e silêncio. Nesse período Portela envelheceu, adoeceu e resistiu, chegando até a Anistia de 1979, quando retoma as atividades políticas pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), patrocinado pelos correligionários e admiradores, como o candidato a prefeito nas eleições municipais de 1982. 

Nesta campanha, Luis Portela e seu vice, Francisco de Assis Rodrigues, contaram com forte participação popular e apoio das forças locais pró-Abertura Política, chegando à Prefeitura com grandes expectativas e uma missão imediata: atrair novos investimentos e reorganizar a máquina administrativa do Município. Portela, apoiado na extensa biografia política e na memória de dois mandatos que transformaram o traçado urbano da cidade; na experiência administrativa e na aproximação pessoal com lideranças estaduais como Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos, encaminhou mandato de seis anos (1982-1988), redesenhando o perfil da cidade com ações de infraestrutura: Rodoviária Nova, viadutos, Praça Paulo Paranhos, Praça Miguel Jassely, Fórum Municipal, COHAB II, novo Mercado Público e Ginásio de Esportes “Portelão”; criação da Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, no antigo teatro Apolo e da Autarquia Educacional da Mata Sul, mantenedora da FAMASUL, entre outras realizações. 

Maior liderança política da cidade dos Palmares, Portela elegeu seu sucessor, Francisco de Assis Rodrigues, na primeira eleição municipal pós-Constituição de 1988. Assim, escreveu e concluiu a trajetória de quarenta anos de vida pública. Falecido em 1990, aos oitenta anos de idade, Luis Portela de Carvalho deixou  sua  marca no desenho urbano da cidade, na memória da população de Palmares e na história política de Pernambuco.