terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dom Acácio Rodrigues Alves (1925 - 2010)









O bispo Dom Acácio discursando, em 1967, durante visita do Presidente da República Costa e Silva. Enquanto falava, recebia o olhar vigilante do Governador "biônico" Nilo Coelho, afinal, ali discursava um jovem e combativo discípulo de Dom Helder, certamente apresentando os problemas de Palmares e da região canavieira de Pernambuco. Problemas que passavam pelo direito à vida, ao trabalho e à liberdade.

Abaixo, a nota de pesar da CNBB, registrando breve biográfia de Dom Acácio:

" Causou-nos profunda dor e tristeza a morte de Dom Acácio Rodrigues Alves, bispo emérito de Palmares, no Estado de Pernambuco, ocorrida nesta terça-feira, 24 de agosto. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB vem, pois, manifestar sua solidariedade aos diocesanos de Palmares que, por 38 anos, tiveram Dom Acácio como seu pastor.

Nascido em Garanhuns, no Pernambuco, Dom Acácio tinha 85 anos. Com apenas 13 anos de padre e 37 de idade foi nomeado bispo de Palmares, prova dos extraordinários dons com que foi revestido pela graça de Deus.

Com 48 anos de ministério episcopal, Dom Acácio deixa-nos uma extensa lista de serviços prestados à Igreja em prol do Reino de Deus. Especialista em Direito Canônico, foi presidente da Sociedade Brasileira de Canonistas. No Regional Nordeste 2 da CNBB, foi responsável pela Pastoral Familiar, pelo Tribunal Eclesiástico e pelo Ecumenismo. Em tudo que fez, viveu intensamente seu lema episcopal: Um em Cristo”.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

As duas primeiras fases d' A Notícia (1912 e 1915)

A Notícia marcou decisivamente a história de Palmares e da imprensa pediódica de Pernambuco. Ele surgiu no ano de 1912, depois do fechamento da Gazeta de Palmares, jornal que havia circulado nos tumultuados anos de 1907 a 1911, período de acirradas disputas entre os representantes locais do Partido Repúblicano Conservador (PRC) e do Partido Republicano Progressista (PRP): seus correligionários, em Palmares, partidários de Rosa e Silva - que recebia apoio dos redatores da Gazeta - ou do General Dantas Barreto, o vencedor das eleições para Governador de Pernambuco, em 1911.
Os partidários locais de Dantas Barreto perseguiram e fecharam a iniciativa do antigo jornal de propriedade do Vigário Sebastião Bastos, que contava com a participação dos jovens "marretas" (assim chamavam os que apoiavam Rosa e Silva), Gerôncio Borba de Carvalho, João Lagreca, Demócrito de Almeida, Fenelon Ferreira e Miguel Griz Filho.

Sem condição de levar adiante o empreeendimento jornalístico, o Vigário Bastos vendeu a tipografia da extinta Gazeta ao colaborador Letácio de Almeida Montenegro. Este novo proprietário fundou A Notícia, em 06 de outubro de 1912. Nesta primeira fase, a folha semanal apareceu na condição de "folha neutra", sem aparentemente declarar partidarismo ou predileção ideológica.
Tal situação foi revertida em 1915, quando ao lado de Gastão Marinho e Gerôncio Borba de Carvalho, A Notícia passou à condição de folha do Partido Republicano Conservador, desbancando o rival A Época, jornal ligado aos partidários do Partido Republicano Democrata do então prefeito Coronel Luis de França, vencido em 1916, pelo grupo do Coronel Fausto Figueiredo, correligionário de Rosa e Silva.
Após 1930, A Notícia tornou-se um jornal com característica mais profissional, propriamente um negócio que ficaria no comando da família de Letácio Montenegro, por mais quarenta anos, acompanhando muitas outras conjunturas políticas locais e estaduais. Os exemplares exibidos acima, o nº 1 de 06 de outubro de 1912 e o nº 140 de 15 de agosto de 1915, encontram-se no acervo do Arquivo Público Jordão Emerenciano, no Recife-PE.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Poetas Abolicionistas em Palmares

O poeta Caphedório de Carvalho utiliza o repertório de eufemismos e hipérboles comuns à poesia sobre o tema escravidão. No poema acima, exalta o povo do Ceará pelo feito da Abolição. A província do Ceará foi a primeira a libertar os escravos


O poeta Joaquim Augusto de Almeida, conforme costume da época, optava por assinar seus poemas com pseudônimo. Meladie (invertido fica almeida) ironiza a mentalidade dos "crânios" de conservadores e escravocratas, na Palmares de 1884.

Os jornais Echo de Palmares (1883/1884) e Gazeta de Palmares (1884) revelam a presença de poetas abolicionistas em Palmares. Presença comum em muitos lugares do Brasil, os poetas do movimento condoreiro eram influenciados por Castro Alves, Tobias Barreto, Pedro Calazans e José Bonifácio, o Moço. Poetas de renome, inspirados pela poesia social do francês Vitor Hugo.

O movimento condoreiro teve seus representantes locais, em torno do Club Literário de Palmares, do Club Emancipador 28 de Setembro e de um Clube Abolicionista de Palmares. Aparecem seus versos, na edição especial do Echo de Palmares de 25 de março de 1884. Edição em homenagem à Libertação dos Escarvos no Ceará, a primeira província a abolir o trabalho escravo no Brasil.

Os poetas abolicionistas de Palmares se encontram, nesta edição do Echo, para decantar em prosa e verso o feito dos abolicionistas cearenses. Versos escritos pelo comerciante de tecidos Antonio Caphedório de Carvalho e pelo tenente Joaquim Augusto de Almeida, poetas que podem ser apontados como os precursores da poesia publicada em Palmares.

Club Emancipador 28 de Setembro

Notas do ano de 1884, publicadas no Gazeta de Palmares, dão conta da existência de um Club Emancipador 28 de Setembro, em homenagem à data de edição da Lei do Ventre Livre, em 28 de setembro de 1871. Os clubes emancipadores tinham a missão de reunir fundos para a compra de cartas de alforrias, além de proteger escravos fugitivos que precisassem de defesa na obtenção dessas cartas de manumissão.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Clube Abolicionista de Palmares (1884)

Notícias sobre a presença de uma clube abolicionista em Palmares. Notas publicadas na Gazeta de Palmares, em 1884. As notas falam da sede do Clube, na casa nº 31, rua Nova. Um registro da importância do movimento abolicionista em Palmares, na época dominada por relações escravocratas nos engenhos, nos negócios urbanos e na vida doméstica.

O primeiro jornal de Palmares (1883)


O Echo de Palmares foi o primeiro jornal publicado em Palmares. Ele foi impresso na tipografia do Club Literário e pertencia ao português Severino Pereira, que chegou a cidade no ano da Emancipação, em 1879. O Echo durou alguns meses, entre os anos de 1883/1884. Mesmo não declarando-se órgão noticioso de abolicionistas, serviu de espaço para divulgação das ideias liberais e republicanas em Palmares.

Ata de Inauguração do Club (1882)


Você pode acessar a Ata de inauguração do Club Literário de Palmares (1882), na edição do jornal "Palmares", número único, publicado pelo professor Miguel Jasseli, em 15 de outubro de 1933. A Fundação Joaquim Nabuco possui microfilme desse jornal que comemorou os cinquenta anos do Club.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Poeta Fábio Silva (1876 - 1908)


Na página Arquivo Literário do Séc. XIX, você encontra a biografia do poeta Fábio Silva. Membro do Club Literário e colaborador de muitos jornais locais, tem o poeta Fábio uma obra em prosa e verso ainda desconhecida.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Poeta Fernando Griz (1876 - 1931)


Leia na página Arquivo Literário do Séc. XIX, fragmentos da autobiografia desse poeta membro do Club Literário de Palmares.